Como conseguir a planta baixa do meu imóvel na Espanha: caminhos e preços
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Você precisa da planta do seu apartamento para vendê-lo, para uma reforma ou só para saber quantos metros tem cada cômodo, e ela não aparece em nenhuma gaveta. Isso é mais comum do que parece, sobretudo em apartamentos usados que já passaram por vários donos.
A boa notícia é que quase sempre existe uma planta em algum lugar. A má é que cada fonte dá uma planta diferente e nem todas servem para a mesma coisa. Aqui revisamos onde pedi-la na Espanha, quanto custa encomendar uma nova, quais apps a desenham com o celular e como lê-la depois que você a tiver.
Como conseguir a planta do meu imóvel: resumo rápido
Em ordem, do mais fácil ao mais trabalhoso:
- Procure na sua documentação. A escritura não costuma trazer planta, mas, se você comprou de uma construtora, a pasta da compra pode ter a planta comercial.
- Catastro. Grátis e em minutos. Dá o croqui cadastral; se você é o titular, às vezes também o croqui por andar.
- Condomínio (comunidad de propietarios) ou construtora. Em prédios relativamente recentes, o Libro del Edificio (o manual do prédio) e o projeto costumam estar lá.
- Prefeitura (ayuntamiento). O processo da licença de obra guarda as plantas do projeto. É a fonte mais completa, mas também a mais lenta.
- Encomendar. Se nada aparece ou o apartamento foi reformado, um arquiteto, um técnico de obras (aparejador) ou um desenhista técnico mede e desenha.
- Fazer você mesmo com um app. Útil para mostrar a distribuição ou planejar móveis, não para um processo oficial.
Como conseguir a planta do imóvel no Catastro
A Sede Electrónica del Catastro permite que qualquer pessoa busque um imóvel pelo endereço ou pela referência cadastral e veja as informações descritivas e cartográficas, "livre e gratuitamente". Isso inclui o croqui do terreno e do prédio.
O que interessa para um apartamento é outra coisa: segundo a própria Sede, quem se identifica com certificado digital pode também consultar os seus dados protegidos e baixar croquis por andar com a divisão das unidades, mas só "nos municípios em que eles estejam disponíveis". Você também pode entrar com Cl@ve (o sistema de identificação digital do governo espanhol) ou pelo app do Catastro para baixar a consulta descritiva e gráfica dos seus imóveis.
Tenha em mente duas coisas:
- Não é uma planta técnica. O croqui cadastral tem finalidade fiscal: serve para ver o formato e a área construída, mas não costuma mostrar a distribuição interna com medidas.
- A consulta não é uma certidão. Se um processo pede um documento oficial, o que você precisa é a certificação cadastral descritiva e gráfica, que também se obtém na Sede.
A prefeitura e a licença de obra
Quando o prédio foi construído, o projeto com as plantas foi apresentado à prefeitura para pedir a licença. Esse processo continua no arquivo municipal (ou no arquivo histórico, se o prédio for antigo).
Cada prefeitura tem o seu procedimento, mas o padrão se repete: você apresenta um pedido de acesso ao processo urbanístico, comprova que é o proprietário ou que age em nome dele, e recebe um horário para consultá-lo. A consulta costuma ser gratuita e as cópias são cobradas. Procure no site da sua prefeitura "consulta de expedientes de licencias" ou "archivo municipal".
O que você vai encontrar são as plantas do projeto tal como foi aprovado. Se o apartamento foi reformado depois, elas podem não coincidir com o que existe hoje.
A construtora e o condomínio
Se o prédio tem poucos anos, tente antes com a construtora. A Ley de Ordenación de la Edificación (lei espanhola de construção, art. 7) obriga a entregar o projeto, com as modificações aprovadas, ao incorporador ao final da obra, e essa documentação forma o Libro del Edificio, que é entregue aos usuários finais. Em apartamentos, quem costuma guardá-lo é o condomínio: pergunte ao administrador (administrador de fincas).
E o Registro de Imóveis?
O Registro de la Propiedad fornece a nota simple (uma certidão resumida com a descrição do imóvel, a área e os ônus), mas não a planta interna do apartamento. Desde a reforma de 2015, o Registro trabalha com a representação gráfica dos imóveis apoiada na cartografia do Catastro, que é útil para o terreno, não para saber onde fica a cozinha.
Quanto custa uma planta baixa
Se a planta não existe ou não coincide com a realidade, é preciso encomendar um levantamento: um técnico mede o apartamento e o desenha. Não há tabela oficial, então os preços variam bastante conforme a cidade e o que você pede.
Algumas referências (preços consultados em outubro de 2026):
- Por área. O guia do habitissimo sobre desenhistas técnicos, atualizado em junho de 2026, coloca o desenho das plantas de um imóvel residencial entre 0,90 e 2,80 €/m².
- Por hora. O mesmo guia dá uma média de € 30/h para um desenhista técnico, com uma faixa de € 20 a € 50/h.
- Por encomenda. Numa consulta no Certicalia, um arquiteto orçava cerca de € 300 + IVA (o imposto sobre valor agregado espanhol) pela planta de um imóvel com menos de 200 m², e um pouco mais se forem acrescentadas fachadas e cortes.
Para um apartamento comum, pense em algumas centenas de euros, mais se você precisar de uma planta assinada para uma licença ou uma regularização. Peça pelo menos dois orçamentos e deixe claro para que a quer: uma planta para o anúncio não custa o mesmo que uma para um projeto de reforma.
Aplicativo para fazer planta baixa
Se o que você quer é mostrar a distribuição ou planejar uma reforma, um app pode bastar. A grande diferença é se o seu iPhone tem LiDAR, o sensor que mede distâncias. Segundo a Apple, só os modelos Pro e Pro Max têm, do iPhone 12 Pro em diante.
Com LiDAR. A Apple oferece aos desenvolvedores o RoomPlan, que usa a câmera e o LiDAR para gerar uma planta 3D do cômodo com medidas de paredes, portas e móveis. Muitos apps o usam:
- magicplan. Escaneia com LiDAR no iPhone Pro e também desenha com a câmera. Na App Store da Espanha, o plano Sketch custa € 12,99 por mês ou € 129,99 por ano, e o site informa que os novos usuários têm 2 projetos grátis.
- Polycam. A sua página de plantas diz que a captura de plantas exige um aparelho com LiDAR. Desde 2026 ele permite escanear em 3D sem LiDAR, mas as plantas sem LiDAR foram anunciadas em janeiro como "chegando em 2026" e ainda não aparecem como disponíveis. As plantas 2D e 3D estão no plano Business, de US$ 400 por ano por usuário.
- RoomScan Pro. Combina o RoomPlan com o seu próprio modo LiDAR e tem um modo de toque que funciona em qualquer iPhone. Na App Store da Espanha, a assinatura LiDAR aparece a € 9,99 ou € 11,99 e a anual a € 119,99.
Sem LiDAR. Há apps que medem com a câmera e o rastreamento de movimento do iPhone, como o CamToPlan (grátis para medir; editar e exportar a planta exige uma compra, de € 4,99 a € 49,99 conforme a opção) ou o modo câmera do magicplan. Eles funcionam, mas o próprio CamToPlan avisa que "a sua exatidão não é garantida". Meça à mão algumas paredes para conferir o resultado.
Seja qual for o app, a planta que sai é indicativa. Para um processo oficial (licença, divisão, cédula de habitabilidad, o atestado espanhol de habitabilidade) você vai precisar de uma feita por um técnico.
A planta aproximada de um tour 360 com o RoomTour (iPhone com LiDAR)
O RoomTour, nosso app, não é um app de plantas: ele faz tours virtuais 360° de um imóvel com qualquer iPhone, sem câmera 360. Num iPhone com LiDAR (os modelos Pro), a planta sai como subproduto do tour:
- Você captura cada cômodo seguindo o guia na tela: cerca de 30 fotos, um alvo de cada vez. O celular junta tudo numa panorâmica 360°.
- Enquanto isso, o LiDAR escaneia as paredes e o ARKit registra onde está o celular em cada cômodo. Com isso, o tour coloca os cômodos no lugar certo e desenha uma planta aproximada da distribuição e uma maquete 3D. Sem LiDAR você tem o tour, sem planta.
- O comprador usa a planta para se orientar: vê em qual cômodo está e pula para outro. É o que um anúncio precisa para que se entenda como os ambientes se conectam.
- Não serve para medir. A margem é da ordem de 10 a 20 cm, então não dá metros quadrados nem cotas. Para isso, uma planta de técnico ou um app com LiDAR; para uma maquete 3D medida, um scanner do tipo Matterport.
- Você compartilha um link do tour com a planta por WhatsApp, por e-mail ou no seu site, ou imprime como cartaz com QR code.
Você pode ver o resultado no tour de exemplo. O passo a passo completo está em como fazer um tour virtual de um apartamento com o celular.
Como fazer uma planta baixa de graça
Se você tem paciência e uma trena, pode desenhá-la você mesmo:
- Meça cada cômodo de parede a parede, na altura do rodapé, e anote a espessura aproximada das paredes divisórias.
- Marque portas e janelas com a largura e para que lado abrem.
- Desenhe com uma ferramenta gratuita. O Sweet Home 3D é livre e funciona no computador e no navegador; o Floorplanner permite até 5 projetos grátis, com exportações em baixa resolução e marca d'água.
- Compare com o Catastro. Se a área que você obteve ficar muito longe da cadastral, revise as medidas (o Catastro dá a área construída, que inclui paredes e parte das áreas comuns, então ela sempre será maior que a soma dos seus cômodos).
Como ler uma planta baixa
Algumas dicas para não se perder:
- Escala. Indica quantas vezes a realidade foi reduzida. Em 1:100, 1 cm no papel equivale a 1 m no apartamento.
- Cotas. São as linhas com números que dão as medidas. Costumam estar em metros ou em centímetros; repare em qual.
- Paredes. As grossas são fachadas ou paredes estruturais; as finas, divisórias. Isso importa se você pensa em derrubar alguma.
- Portas e janelas. As portas são desenhadas com um arco que mostra para que lado abrem. As janelas, como linhas finas dentro da parede.
- Área útil e construída. A útil é a que você pisa; a construída soma as paredes e, às vezes, áreas comuns. Os anúncios deveriam deixar claro qual informam.
- Orientação. Se a planta tem uma seta indicando o norte, ela mostra quais cômodos recebem sol.
Um anúncio no idealista ou no Fotocasa precisa de planta?
Não encontramos nenhuma exigência do idealista ou do Fotocasa (os principais portais imobiliários da Espanha) de planta para publicar. Ela pode ser enviada como mais uma imagem; alguns programas de gestão permitem marcá-la como planta ao enviar o anúncio.
A obrigação está em outro lugar. O Real Decreto 515/1989, que se aplica quando se vende ou aluga no âmbito de uma atividade profissional na Espanha, exige deixar à disposição do público a "planta do próprio imóvel". Algumas comunidades autônomas detalham isso: na Andaluzia, o Decreto 218/2005 exige uma planta cotada em escala mínima de 1:100 na venda de imóveis na planta ou em construção, enquanto para os usados a ficha que o intermediário deve entregar não inclui planta. Se você é corretor na Espanha, consulte a legislação da sua comunidade autônoma.
Mesmo que não seja obrigatória, uma planta ajuda a vender. Uma planta aproximada junto com o tour, ou a planta do projeto se você a tiver, responde à pergunta de como os cômodos se conectam, algo que fotos soltas não contam. Se você também quer colocar o tour no anúncio, leia como adicionar um tour virtual no idealista e no Fotocasa.
Perguntas frequentes
Como conseguir a planta do meu apartamento de graça na Espanha?
Comece pela Sede Electrónica del Catastro (o portal on-line do cadastro imobiliário espanhol): a consulta descritiva e gráfica é gratuita e, se você é o titular e entra com certificado digital ou Cl@ve, em alguns municípios vai ver o croqui por andar. Se precisa da planta do projeto, peça acesso ao processo da licença de obra na prefeitura (ayuntamiento).
Quanto custa uma planta baixa de apartamento na Espanha?
Depende de a planta já existir e só precisar ser copiada, ou de alguém ter que medir o apartamento. Um levantamento feito por um técnico costuma custar algumas centenas de euros para um apartamento comum; o habitissimo coloca o desenho de plantas entre 0,90 e 2,80 €/m² e a hora de um desenhista técnico entre € 20 e € 50 (preços consultados em outubro de 2026).
Qual aplicativo serve para fazer a planta baixa de um imóvel?
Com um iPhone Pro com LiDAR, apps como magicplan, Polycam ou RoomScan escaneiam as paredes com bastante precisão. Sem LiDAR existem apps que trabalham com a câmera, com mais margem de erro. Nenhum substitui uma planta assinada por um técnico se você precisa dela para um processo oficial.
É obrigatório colocar a planta no anúncio do idealista na Espanha?
Não encontramos nenhuma exigência do idealista ou do Fotocasa nesse sentido. Outra coisa é a legislação espanhola de informação ao consumidor quando quem vende é um profissional, sobretudo em imóveis na planta, que exige ter a planta à disposição do comprador.